Geral Crônica

ZEZINHO E A NATUREZA

A história do garoto de apenas 7 anos que mora no campo e fala a linguagem da natureza

15/07/2023 às 16h20 Atualizada em 15/07/2023 às 16h49
Por: Redação I Fonte: Iderval Reginaldo Tenório
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ZEZINHO E A NATUREZA

CAPÍTULO I: O MENINO

Zezinho,7 anos de idade,  mora  no campo e ainda não frequenta  as escolas do imaginário humano. Sonha com este dia, porém  é PhD  na linguagem dos seus maiores amigos: a terra, a chuva, o sol, a lua, a noite, o dia, a água, os ventos,  as plantas, os animais domésticos,  os  silvestres, os  pássaros, os insetos e até os répteis. 

O menino fala a linguagem da natureza. É poliglota, etólogo, ambientalista, sociólogo, ecologista,  biólogo, agricultor, pecuarista e outras da sua  imaginação, só não sabe as leituras desenvolvidas pelo imaginário humano. Ensinamentos constituídos de   demandas seletivas, excludentes e que estudam os fenômenos materiais e filosóficos, e ao mesmo tempo provêem os mecanismos da estratificação da sociedade. É uma Educação de cabal importância para o homem ascender na escala sociocultural, e  não continuar no limbo ou na base da pirâmide  social   criada pelos humanos. O Zezinho tem sede do saber e olha para o futuro da humanidade.  

Diz  a neurociência, que na primeira infância, a linguagem oficial é a que prega o amor, a verdade, a pureza, o respeito, a compaixão, o compartilhamento, a  sinceridade e a inteligência.  Com o passar dos tempos, o homem vai remodelando  pilar por pilar, pedra por pedra,  para que, com as agruras sofridas, construir os templos do artificialismo da vida, obedecendo os princípios pétreos da linguagem da primeira infância; porém, muitos, na sua  trajetória, sofrem avarias morais, danificam a personalidade, entram num mundo obscuro e sedimentam  diversos  desvios de comportamento.

CAPITULO II: O DIÁLOGO COM O SOL

Conta Zezinho, que tem conversado com os seus amigos de infância. Todos têm queixas contra o comportamento dos seres  humanos, principalmente dos povos mais desenvolvidos. 

Diz que o Sol  é a principal peça do sistema solar, alimenta a terra e os demais planetas sem distinção, sem preconceitos  e nada pede em troca, sabe da sua tarefa, de sua importância e anda preocupado com a atuação dos humanos. Tem observações e  reclamações a fazer. 

Dizem os homens, que  ele, o sol, é o responsável pelo câncer de pele, que  resseca o solo, evapora as águas dos rios, oceanos, lagos, córregos e açudes e é o   vilão da desertificação do planeta. Esquecem, os homens, que estes atos fazem parte de sua função, são necessários para os ciclos da vida. 

Diz que na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, não pode e nem deve mudar o seu comportamento, é o seu ofício. Faz este trabalho há 5 bilhões  de anos e ainda tem mais 5 bilhões para atuar. Refere que os seus raios, na velocidade da luz, 300 mil quilômetros por segundo, gastam 8,5 minutos e viajam 150 milhões  de quilômetros para chegar à  terra, lhe dando vida.

Reforça que as árvores recebem os raios solares, fazem a fotossíntese, produzem frutos, grãos e tubérculos que alimentam os homens e os animais  herbíberos, estes consomem os vegetais, multiplicam-se e são consumidos pelos  homens e pelos animais não humanos carnívoros. 

Enfatiza que compondo o equilíbrio da natureza, existem os  os produtores, os consumidores e os decompositores, todos estão sob a sua batuta.

Afirma  que o arroz, milho, feijão, soja, trigo, lentilha, ervilhas e as favas são energia solar concentrada em forma de grãos, da mesma forma  que são todos os tipos de carnes.  É peremptório em afirmar  que é a mais importante fonte de energia, de  vida  e de   saúde  para toda a natureza, inclusive para os  humanos. Relata que, o que os seres vivos comem, nada mais são do que energia solar compactada em proteínas, glicídios, lipídios, hidrocarbonetos e sais minerais.                                                                                                         

CAPITULO  III: OS RIOS

O Sol, o líder dos grupos,  traz diversas queixas dos seus componentes.

Os  Rios andam assombrados e perplexos com o futuro, encontram-se  exaustos e não aguentam as atrocidades praticadas pelos humanos. Cortam as árvores das suas margens, constroem habitações nos seus trajetos, desviam aleatoriamente as suas águas e jogam dejetos de todos os tipos nos seus leitos, especificamente orgânicos, químicos, metais e os tóxicos. Reclamam que um dia poderão não suportar tais agressões  e poderão perecer antes do tempo, alertam compenetradamente que a promoção da vida é  função de todos.

Lembram que nas suas águas, vivem diversos tipos de vidas e por onde passam alimentam milhares de outras vidas, tanto vegetais como  animais e são as artérias da terra. Transportam muitos nutrientes na suas águas e juntos aos oceanos, lagos, córregos, lagoas, açúdes e trajetos subterrâneos levam a vida para todos. 

Enfatizam que a Terra é viva e nunca para de se transformar, vive em metamorfose, depende das suas águas e dos nutrientes que nelas se encontram.

Apontaram um grave crime que os humanos praticam contra os peixes, os seus maiores moradores.   

Os peixes vivem felizes nas suas águas,  suprem a cadeia  alimentar, inclusive os humanos. São peças importantes nas complexas  propriedades da vida e para todas as espécies que habitam a terra.  

O que é inadmissível e sem defesa, é o fato dos humanos pescarem para o entretenimento, dizem que pescam pelo lazer, não é ético. Enquanto divertem-se e riem, maltratam os inocentes peixes e vangloriam-se das atrocidades praticadas. Os Rios não entendem como um homem pode se sentir feliz em prender  um peixe pela boca. Veja um trecho  do  relato vivido por um dos rios:

“Os homens usam anzois de metal,  camuflados com   fragmentos de carne, o peixe  pensa que é alimento e tenta engolir para matar a fome. O pontiagudo ferro encrava na sua boca, o animal passa  horas  brigando para se livrar  e não consegue. Sem forças, exausto e com ferimentos  é vencido, os homens  ficam felizes, pulam de contentamento por este satânico e criminoso ato. Não se resignam e nem se comovem com as dores, o sofrimento e o pânico que passa aquele animal. Depois o expõe   ao público ridicularizando e o envergonhado. Em seguida o solta na mesma água com avarias na cabeça, ferimentos na boca, nos olhos, barbatanas, queixo,  guelras e garganta, fica moralmente  destruído, é uma afronta  a vida”

CAPÍTULO IV: AS FLORESTAS

As Florestas, constituídas de diversos tipos de vidas, tanto animal como vegetal, dizem que estão sendo destruídas. Nas nações desenvolvidas, notadamente na Europa, praticamente não existem mais, os humanos daquela região, em  500 anos, acabaram com as suas reservas e quase todos os recursos naturais.

Das matas nativas restam poucas. Na Europa as matas são artificiais, monoculturas, frutos do reflorestamento por lei, geralmente  coníferas.

Alegam que este povos, para tornarem-se desenvolvidos, tiveram que danificar todo o ecossistema, consumindo os recursos minerais, vegetais e  animais.

Hoje, estes povos gastam fortunas para o plantio de milhões de árvores, porém sem a diversidade das florestas originais, no intuito de recompensar os crimes cometidos contra a natureza. O mais estranho, é que todo o planeta chama este ato de civilização desenvolvida, porém, para  a natureza um verdadeiro contrassenso, um absurdo, um crime socioambiental. Não satisfeitos, estão invadindo e tomando  os recursos naturais das nações periférica das  Américas, África, Ásia, Oceania e Oriente  em busca de matérias primas para o fabrico de tudo que consomem, tanto minerais, vegetais e animais, destruíndo todos os biomas e eliminado vidas humanas e  não humanas.

Queixam-se as Florestas, que as suas árvores estão sendo derrubadas para a fabricação de móveis,  papeis,  para fazer fogo, pastos,  agricultura e para a construção civil.

Grandes áreas são reservadas para a construção de cidades, exploração dos minerais e tudo  que o homem necessita. Os homens desenvolvidos  estão devastando as florestas em todo o planeta. Primeiro acabaram as deles e agora estão invadindo as nações subdesenvolvidas, danificando o ecossistema. A velocidade de destruição é maior do que a de recuperação, estes danos trarão grandes mudanças na natureza.

O Sol trouxe graves reclamações da própria terra.

Relata que os seus morros, chapadas, montanhas, serrados e as  planícies,  por possuírem pedras preciosas, águas subterrâneas, terra raras e combustíveis fósseis, estão sendo dilapidadas. Jogam explosivos, destroem as suas entranhas, abrem os seus corpos  em busca destas riquezas; estas atitudes fulminam muitos tipos de vida e o meio ambiente. Contaminam as águas dos rios, mares, lagos, os aquíferos e o lençol freático, os homens são impiedosos.

CAPÍTULO V: AS ABELHAS

O Líder trouxe queixas de quase todos os grupos, muitas inacreditáveis, veja as queixas das abelhas .

As abelhas falaram que os humanos roubam o mel que produzem, o mel  que alimenta a sua rainha e toda a colméia, deveriam deixar parte  para os produtores. Lembram  que uma abelha vive pouco,  de 40 a 60 dias, que cada uma produz em  média de 2 a 4  gramas de mel durante toda a sua existência, faz 40 vôos por dia, visita de 10 a 12 flores por minutos e pousa em até  40mil flores por dia.  Poliniza todas as plantas visitadas,  afasta-se até 2  mil metros da colméia e  orienta-se pelos raios solares. A vida de uma  abelha é dura, não se reproduz, não tem decisão própria, apenas trabalha, é uma  verdadeira operária.  

Refere que os humanos chegam  e roubam os  alimentos da sua família. Indagam para si,  por que não se contentam com o trabalho gratuito de polinizar as flores? serviço este responsável pela geração dos frutos. Ratifica  que esta tarefa já seria de bom tamanho, já seria suficiente, já seria uma nobre e impagável atitude, porém os homens querem mais, querem tudo, até o própolis e a cera, injustamente, confiscam. 

Além de furtarem o mel, matam muitas abelhas, envenenam e intoxicam outras  com fumaças. Promovem verdadeiros incêndios ao redor da colméia e acabam com a vida de outros insetos. Os homens são  perversos com os outros animais, só pensam neles, consideram que o mundo foi feito só para eles e tudo que existe foi feito para lhes servir. O humanismo é a razão principal dos humanos, tudo e todos só para eles.

CAPITULO VI: QUEIXAS GERAIS

O Sol fez uma pausa e trouxe à tona  acontecimentos inaceitáveis com os animais .

Citou as maldades nas vaquejadas, touradas, brigas de canários,  cães e galos, as grandes  cargas colocadas nos jumentos, camelos,  burros, cavalos e nos bois de tração, além do uso do ferro quente com a marca dos donos, das esporas, cabrestos,  rabicho, boqueira, esmaga-bagos  e dos chicotes . 

Falou dos furtos do leite bovino, caprino e ovino, dos envenenamentos dos insetos e dos anelídeos na lavoura.

Esquecem, que estes insetos, juntos às abelhas, estão em busca da sobrevivência. Ao mesmo tempo que comem, polinizam as flores e são fontes de alimentos para muitos outros animais, os pássaros por exemplo. Ao serem envenenados, em cadeia, diminuem as polinizações, eliminam milhares de pássaros, sapos e repteis, desequilibram o ecossistema.

Disse também, que tem seres humanos que retiram totalmente as vestes das ovelhas, isto é, tosam toda a sua lã, a sua proteção. Ferem a sua pele e as deixam nuas, expostas ao frio, sol e ao relento.

São  muitas as  crueldades em nome do progresso, do desenvolvimento e do humanismo. Prendem milhares de pássaros em gaiolas  e lhes tiram a liberdade, a maior propriedade que um ser vivo possui,  que é viver livre na natureza. Frisa que todos os animais nascem alforriados. É como os humanos, não existem homens escravos, existem homens escravizados. Pede que olhem para os grandes animais selvagens, muitos em fase de extinção. Com o álibi de preservação, os homens os mantêm presos em gaiolas nos circos, zoológicos, pequenas reservas, longe dos seus habitats naturais e originais, vivem literalmente escravizados.

Depois destas informações, o sol fez algumas observações e foi claro. Os homens precisam ter mais cuidado e respeito para com a natureza. 

CAPÍTULO VII: VEIO A NOITE

Veio a noite, o menino como o sol  recolheram-se. O Zezinho foi para casa  e o sol viajou para o outro lado da terra, foi conversar com os seus amigos de lá.

O Sol  tem amigos no mundo todo, ele não possui desafeto, não dorme, não descansa e vive sempre a reverberar energia para todos os planetas do sistema solar, deveria ser o espelho para toda a humanidade.  Tudo e todos dependem da sua atuação. Fala todas as línguas da natureza, a dos minerais, dos vegetais e a dos animais, dos mais simples aos mais evoluídos. O Sol entende  de todos os fenômenos da natureza.                                  

CAPÍTULO VIII: O OUTRO DIA

Veio o outro dia, ao abrir a porta, lá estava sol, forte e brilhante. Com os olhos nos olhos do Zezinho falou sério e compenetrado, se expressou pausadamente, professoralmente. Disse que eram as suas últimas palavras, foi claro, achava que estava abusando da  paciência do atencioso humano e passou este recado:

Amigo Zezinho, diga aos humanos que sejam amigos da natureza, assim como você. Ela é mais forte do que a junção das forças de todos os animais humanos e não humanos que habitam a terra.

O Globo Terrestre é vivo e destruí-lo é uma tarefa impossível  para os que vivem nele, o Globo vive em eterna transformação. Cem, duzentos, mil ou milhões de anos para a terra, para o sistema solar e para a via láctea são fragmentos de tempo insignificantes, lembrem-se que ainda faltam 5 bilhões de anos para o sol fagocitar o planeta, 5 bilhões.

Quem modifica a terra desde a sua criação são os fenômenos naturais: eu (o sol, os rios, os tornados, os mares, as chuvas, os vulcões, as tsunamis, as voçorocas, o fogo, os terremotos, os raios, os trovões, os relâmpagos, os ventos, os tornados, as mudanças do clima, a influência dos outros  planetas, as estrelas e outros fenômenos desconhecidos desta civilização. 

Os humanos jamais a destruirão, no máximo podem modificar o pequeno mundinho no qual vivem, o fragmento do solo que habitam, no máximo desequilibram o seu pequeno  ecossistema. Com estes arranhões, podem danificar quem lhes proporcionam os seus sustentos, dificultando a sua sobrevivência e todos os tipos de vidas  naquela região. Eles destroem os seus biomas, veja que os grandes centros buscam a água, para consumo, a centenas de quilômetros de distância.  

Os homens ao explorarem os recursos naturais dos seus ecossistemas poluem as águas, destroem morros, montanhas e as florestas,  desequilibram a fauna e a flora.  

Vai chegar o dia que, o que se ganha em um ano, será gasto para recuperar uma única catástrofe natural ou provocada pelos humanos.

Com as suas atitudes, quem vai ao fim  é a civilização. Tal qual as outras que sucumbiram, esta também sucumbirá, é apenas questão de tempo.

CAPITULO IX: O RECADO

Diga aos humanos, que preservar os recursos naturais ou explorá-los com respeito  é preservar a continuidade da vida. Lembrem-se  que muitas civilizações já se foram, esta também irá e outras surgirão. Para a terra ainda restam 5 bilhões de anos.

CAPITULO X: FECHAMENTO

O menino Zezinho, de posse destas informações, e após o diálogo com o sol, elaborou este ensaio. Pede que todos tomem  conhecimento e tenham consciência que a terra é propriedade de todos que nela  se encontram, dos animados aos inanimados .  

A terra é de todos e merece respeito.

O homem não está acima da natureza e  nem acima dos animais não humanos. 

 

Iderval Reginaldo TenórioMédico com especialização em Cirurgia Geral, Gastroenterologia, amante da Cultura e da Literatura.

 

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