
Venha, amor, numa manhã qualquer destas, ensolarada no lilás do outono;
Traga-me o sol, o calor, no teu sorriso de rainha;
Cinge de azul o meu céu, traça o meu destino, me anima o dia, a vida...
Venha, amor, que tenho pressa e coisa boa pra te contar, das terras distantes que conheci, no meu sonho de menino, donde campos vêm florescidos e é brinquedo todo dia em nosso olhar;
Venha, amor, que o dia é curto, e o capítulo pode ser breve, que a escura noite traz longos dedos, vira-se a página, logo ali depois da esquina, ... venha logo, minha doce menina;
Tenho pra ti um mar flutuante e uma promessa colorida ...
Venha, amor, … não me deixe só nas músicas de despedida, sem respingos, sem sal, sem ondas nos pés, sem saída ...
Venha amor para quando chegar o negro véu da noite em penumbra e fuga, no socorro e no afago este teu anjo possa te salvar.
Venha, amor, em cantarolar dos teus lábios, as tuas músicas, simples e belas, que colocas ao terral, na tua gostosa dança, que tocam minh’ alma, arrepia minha face, e que me lança ao vento, com a força destemida do teu amor, fazendo-me o bem que só se faz a um amado!
… Venha, amor, linda, de brancas, matinais e perfumosas açucenas nos cabelos, procurar as mãos do teu amado, dele o sorriso que é por ti.
Venha, meu amor, o baile começa às 17h40, as marolas já dançam no vai e vem do mar, e convidam-nos à noite das paixões imortais, dos filhos do vento, dos amantes abençoados!
Amor, que desmedida há nas tuas mãos que não me deixam esquecer do quanto posso ser feliz ao teu lado!
Amor, pra ti há um cavalo selado, alado, lá fora, há um anjo de longas asas e chapéu de abas largas na cabeça, eu, no teu aguardo, no ensaio da despedida desta terra medíocre e impávida, para o mundo majestoso dos grandes amores que passaram por aqui..
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Na mania de escreve poemas de fim do mundo, no gosto acre, eu falo das poesias nunca lidas, de pessoas incomuns, encontradas no oitavo dia da semana, que só vivem os que carregam a marca do verdadeiro amor, o amor dos finais que não são finais, porque início de vidas que não pertencem mais a esse mundo.
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você estava lá, querida, naquele seu vestido azul estampado, no descampado, do sul da Itália do século XV, no teu belo, largo, bronzeado rosto camponês, vestida de nobreza, só pra mim, o teu cavaleiro, com a música do meu nome na boca, cantarolando a quinta estação, sempre, e sempre, ... e para sempre.





