
O controle da glicemia vai muito além de evitar doces. Para pessoas com diabetes tipo 2, alguns hábitos cotidianos podem dificultar o tratamento, provocar oscilações nos níveis de açúcar no sangue e comprometer a saúde metabólica.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a prevalência de diagnóstico médico de diabetes entre adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal aumentou de 5,5%, em 2006, para 12,9%, em 2024 — um crescimento de 135%. No mesmo período, os índices de excesso de peso e obesidade também avançaram, reforçando a importância da prevenção e dos cuidados com a saúde.
Segundo a nutricionista Bela Clerot, parte das dificuldades enfrentadas por pessoas com diabetes está relacionada à repetição de hábitos que parecem inofensivos, mas podem prejudicar o controle da doença.
A especialista destaca que, embora o diabetes tipo 2 seja uma condição crônica, mudanças consistentes no estilo de vida podem melhorar significativamente o controle metabólico. Em alguns casos, é possível alcançar a remissão, quando os níveis de glicose permanecem abaixo dos critérios diagnósticos da doença sem o uso de medicamentos para reduzi-la. Isso, porém, não significa cura definitiva, e o acompanhamento médico continua necessário.
Isabela Clerot, conhecida como Bela, é nutricionista formada pelo UniCEUB, com pós-graduação lato sensu em Alimentos, Nutrição e Saúde e registro no CRN-DF 17718.
1. Acreditar que o diabetes tipo 2 não pode melhorar
Receber o diagnóstico não significa que a saúde esteja condenada a piorar inevitavelmente. A adoção de hábitos saudáveis, a alimentação equilibrada, a prática de atividade física e o acompanhamento profissional podem contribuir para melhorar o controle da glicemia e reduzir o risco de complicações.
2. Confiar apenas nos medicamentos
Os medicamentos são importantes para muitos pacientes, mas não substituem os cuidados com a alimentação, a atividade física, o sono e outros fatores relacionados ao estilo de vida. O tratamento deve ser individualizado, conforme as necessidades de cada pessoa.
3. Observar somente o resultado da glicose
A glicemia é um indicador essencial, mas não é o único parâmetro para avaliar a saúde metabólica. Conforme a avaliação clínica, exames como hemoglobina glicada, perfil lipídico e outros indicadores podem ajudar a compreender melhor o quadro e orientar o tratamento.
4. Comer a cada três horas sem necessidade
Fazer pequenas refeições ou beliscar continuamente ao longo do dia não é uma regra obrigatória para todas as pessoas. A frequência alimentar deve considerar a rotina, as necessidades nutricionais e os medicamentos utilizados. Para quem faz uso de insulina ou de determinados medicamentos, os horários e a composição das refeições também precisam ser planejados para prevenir episódios de hipoglicemia.
5. Confiar cegamente em produtos diet, zero e adoçantes culinários
Produtos com essas classificações não são necessariamente livres de carboidratos ou de calorias. Alguns alimentos industrializados podem conter ingredientes que influenciam a glicemia. Por isso, é importante verificar a tabela nutricional, a lista de ingredientes e a quantidade de carboidratos por porção.
6. Trocar o açúcar por alternativas naturais sem considerar a quantidade
Mel, tâmaras, banana madura e sucos de frutas também contêm açúcares e carboidratos que podem elevar a glicemia. Embora determinados alimentos ofereçam nutrientes importantes, isso não significa que possam ser consumidos sem atenção à quantidade e ao contexto da alimentação.
O cuidado deve considerar o padrão alimentar como um todo, e não apenas a retirada do açúcar de mesa.
O controle do diabetes tipo 2 exige atenção contínua, escolhas alimentares adequadas e acompanhamento de profissionais de saúde. Pequenas mudanças na rotina podem contribuir para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações a longo prazo.
É importante lembrar que cada organismo responde de maneira diferente. Por isso, não interrompa medicamentos, não altere doses e não faça mudanças radicais na alimentação sem orientação profissional. A estratégia mais segura é aquela construída de acordo com os exames, o histórico clínico e as necessidades individuais.
Cuidar da glicemia é cuidar da saúde como um todo. Informação de qualidade e acompanhamento adequado são aliados fundamentais nessa jornada.
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